Do Serro para o Brasil: 4 heróis políticos serranos

Postado por Daniel Araújo em 26 de outubro de 2018

Pelo menos um serrano, o padre Belchior Pinheiro de Oliveira, estaria presente no Grito da Independência.

Todas as informações abaixo foram retiradas do nosso Guia Cultural do Serro

THEOPHILO OTTONI

Theophilo Benedicto Ottoni, ou simplesmente  Teófilo Otoni, foi um dos políticos brasileiros mais populares do período imperial e um símbolo dos ideais republicanos e das lutas pelas liberdades democráticas.

Theophilo nasceu no Serro, a 25 de dezembro de 1807, filho de Jorge Benedicto Ottoni, arrecadador do dízimo imperial, que também foi juiz, tabelião, advogado no Arraial do Tijuco e vereador no Senado da Câmara do Serro entre 1813 e 1822.

O jovem Theophilo saiu do Serro para o Rio de Janeiro em 1826, onde morou com o tio José Eloy, grande poeta e erudito. Foi estudar na Marinha, onde a ascensão era condicionada aos privilégios de nobreza das famílias. Considerando tal atitude inconstitucional e injusta, Ottoni começou sua vida cívica protestando em nome do princípio da igualdade e garantindo seu direito de assentar praça de aspirante graduado em guarda-marinha, conforme o seu mérito de excelente aluno.

Submetido a represálias na Marinha, resolveu voltar ao Serro. E não seria um retorno em vão. Com a cabeça fervilhando de novidades e a coragem da juventude, percorreu os mais de mil quilômetros da Estrada Real transportando, em mulas, os instrumentos da tipografia que permitiram a impressão do Sentinella do Serro, em 1830, um dos jornais mais importantes da história do Império pela defesa intransigente da “democracia pacífica (…) que, com o mesmo asco, repele o despotismo das turbas ou a tirania de um só”. Os artigos do Sentinella eram reproduzidos pelos jornais do Rio de Janeiro, divulgando os princípios liberais pelo País.

O ilustre serrano sempre recusou condecorações. Só ocupou cargos eletivos. Em 1835, elegeu-se para a primeira Assembleia Legislativa Provincial, em Ouro Preto, sendo reeleito para os mandatos de 38/39 e 42/43. Em 1838, foi eleito para a Câmara dos Deputados, no Rio de Janeiro, para um mandato de quatro anos.

Foi um dos principais líderes da Revolução de 1842 em Minas Gerais. Foi vencido por Luís Alves de Lima e Silva, então barão de Caxias, na batalha de Santa Luzia. Preso e processado, foi julgado e absolvido por unanimidade em Mariana, sendo depois beneficiado pela anistia geral decretada pelo imperador Dom Pedro II. Anistiado, voltou à Câmara dos Deputados em 1845 e permaneceu até 1849, quando se afastou temporariamente da política.

Após mais de uma década de afastamento, Theophilo Ottoni elegeu-se, em 1860, para a Câmara dos Deputados, onde permaneceu por dois mandatos. Em 1863, eleito, pela sexta vez consecutiva, para a lista tríplice da qual o imperador indicava os membros do Senado de cada Estado, finalmente, foi escolhido por D. Pedro II. Já era, nessa época, um dos políticos mais famosos e respeitados do País, pela sua coerência na luta pela criação do Partido Republicano e pela defesa intransigente dos direitos à liberdade das pessoas mais pobres. Recusou o título de Conselheiro do Império e, ainda, exerceu várias funções importantes para o futuro do País, como diretor do Banco do Brasil e da Companhia de Navegação do Alto Paraguai, entre outras.

Foi ativo até o fim da vida. Fez seu último discurso na tribuna do Senado em 5 de outubro de 1869. Morreu no dia 17, aos 62 anos. Era o homem mais popular do Império, homenageado, na morte, por adversários, inimigos políticos, pela imprensa, pelos liberais e conservadores. Um grande homem; uma grande vida.

Todas as informações aqui foram retiradas do Guia Cultura do Serro. Garanta já o seu.

GENERAL CARNEIRO

Nascido no Serro em 1846, o general Antônio Ernesto Gomes Carneiro é um dos heróis da Guerra do Paraguai, na qual entrou como soldado e saiu como alferes, condecorado por bravura.

Formado pela Escola Militar da Praia Vermelha no Rio de Janeiro e já como capitão, em 1881, acompanhou D. Pedro II em sua viagem a Minas Gerais. De 1890 a 1892, o Coronel Carneiro comandou a Comissão Construtora de Linhas Telegráficas na “Marcha para Oeste”, que recrutou o então tenente Cândido Rondon, futuro desbravador da Amazônia.

No fim do século XIX, foi convocado para lutar na Revolução Federalista do Sul, quando teve suas tropas cercadas na cidade paranaense da Lapa. Nesse que foi um dos mais célebres e heroicos episódios da vida militar brasileira, o General Carneiro foi ferido e faleceu a 9 de fevereiro de 1894.

 

PEDRO LESSA

Pedro Augusto Carneiro Lessa nasceu no Serro em 1859, filho do Coronel José Pedro Lessa e de Francisca Amélia Carneiro. Foi escritor, com várias obras publicadas, chefe de Polícia, deputado estadual constituinte (1891), advogado de renome e membro da Academia Brasileira de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (futuro IBGE).

Foi o primeiro ministro negro do Supremo Tribunal Federal (STF), de 1907 a 1921, e defendia, já naquela época, a regulamentação das condições de trabalho, a proibição do trabalho infantil, a organização sindical, a previdência social e o imposto progressivo sobre a herança e o luxo.

Defensor intransigente das liberdades e prerrogativas dos cidadãos contra os desmandos do poder, deixou como principais legados a consolidação do “Mandado de Segurança” e o alargamento do “Habeas-Corpus”. Foi contemporâneo de Rui Barbosa e morreu em 1921.

 

JOÃO PINHEIRO

Com João Pinheiro da Silva, o Serro forneceu ao País um dos políticos de maior expressão da Primeira República, chegando ao Governo do Estado de Minas Gerais.

Ele nasceu em 1860 e, em Ouro Preto, fundou o Clube Republicano, em 1888, que deu origem ao Partido Republicano Mineiro e à Faculdade Livre de Direito do Estado. Em 1890, como Vice-Presidente do Estado, exerceu interinamente o Governo de Minas e, no ano seguinte, elegeu-se deputado Federal à Constituinte. Foi ainda vereador em Caeté (1899) e senador (1905) até tornar-se Presidente de Minas Gerais, em 1906, implantando um governo inovador, que realizou a primeira grande reforma do ensino no Estado e buscou desenvolver a agricultura e a mineração.

Faleceu em 1908, em pleno mandato.

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