ESCOLHA SUA VERSÃO DA HISTÓRIA DO SERRO

Postado por Circuito Cultural em 2 de fevereiro de 2018

Com mais de três séculos de história, as origens do Serro são, naturalmente, envoltas em brumas onde se vislumbram fatos, lendas e mistérios por entre as ladeiras e torres das suas tantas igrejas. A famosa “corrubiana”, nevoeiro que encobre as serras do Espinhaço, também influencia o nascimento das Lavras do Serro do Frio ou como diziam os índios Ibiti-ruí. O “descobridor oficial” do ouro no Serro é o bandeirante paulista Antônio Soares Ferreira, mas apenas porque foi ele o primeiro a registrar essa descoberta no Livro da Real Fazenda de Portugal. Está escrito, então é oficial. Entre 1701 e 1702, ele registrou as jazidas existentes sob domínio da Coroa Portuguesa e foi nomeado o primeiro guarda-mor das terras do recém-criado arraial do Serro do Frio.

Em sua tropa, além de oficiais e escravos, estava o escrivão Lourenço Carlos Mascarenhas, que viria a ser o primeiro superintendente do arraial, já por volta de 1711, com a missão de organizar e ampliar o controle régio sobre a mineração. A fortuna de Soares Ferreira não durou para sempre. Foi mais um, dentre milhares, a se rebelar contra a opressão e a sanha fiscal da época e, ao ser impedido de explorar as suas próprias lavras pela Coroa Portuguesa, desobedeceu às ordens, tentou fugir e acabou morto, em 1718.

Historiadores e escritores locais apontam, ainda, vários outros desbravadores da mineração no arraial, que logo se transformou no principal núcleo habitacional da extensa região norte de Minas Gerais. Um contingente cada vez maior e desordenado de pessoas de todas as partes da colônia, de Portugal e do exterior era atraído para a região.

 

Procissão saindo da Igreja da Purificação. Foto Histórica do IPHAN de 1908.

UMA OUTRA VERSÃO

Passando ao largo da oficialidade, mas com muito mais drama e apelo emocional, existe a versão da descobridora negra, ex-escrava e dona de escravos. Trata-se de Jacinta de Siqueira, que nos primórdios dos anos 1700, depois de ser alforriada (libertada da escravidão), saiu em busca de riquezas e retirou os primeiros quatro vinténs de ouro de um riacho que ainda hoje corta a cidade do Serro: o Riacho Quatro Vinténs que ganhou esse nome por motivo óbvio. Jacinta, que dominava técnicas de mineração, tornou-se dona de minas, terras e escravos na região, até sua morte em 1751. Teria mandado construir a Igreja da Purificação.

Um outro córrego, o do Lucas, também homenageia um pioneiro do ouro, Lucas de Freitas Azevedo. E assim, de pioneiro em pioneiro, o Serro do Frio foi crescendo até rivalizar com a capital Vila Rica. Com o fim do ouro e do diamante, restou a riqueza cultural, em arquitetura, arte e história, guardada para a posteridade!

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