A HISTÓRIA REVELADA DAS FAZENDAS COLONIAIS

Postado por Circuito Cultural em 17 de setembro de 2017

Fogão de lenha é parte da tradição gastronômica mineira

As antigas fazendas mineiras são parte fundamental da história brasileira.

No início do ciclo do ouro houve um período crítico de falta de alimentos nas minas. A descoberta do ouro atraiu pessoas de todos os cantos do Brasil e de Portugal com um só objetivo: fazer fortuna com a mineração das pedras preciosas. As povoações de mineradores apareceram por todos os lados e são hoje as muitas cidades do Circuito Cultural do Diamante.

Logo surgiu o problema: onde conseguir alimentos para tanta gente? Até que alguns empreendedores percebessem a potencialidade econômica do mercado de produtos alimentícios, houve um período de fome na região mineradora entre os anos de 1698 a 1701.

Continue lendo este artigo para saber: como se resolveu o problema da fome e o que resultou dessa experiência para o Circuito Cultural do Diamante.

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Leia também sobre o município de Rio Vermelho, que se formou como pólo de abastecimento das minas da região de Serro e Diamantina. Clique AQUI.

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Os currais se integram à Casa da Fazenda

GADO, FAZENDAS E SOLARES

Uma das primeiras soluções para resolver a crise do desabastecimento nas minas foi a importação do gado de corte, que chegava dos currais da Bahia, margeando o Rio São Francisco. Vendo que se tratava de um bom negócio, o alferes Antônio Gonçalves Figueira, fundou a Fazenda dos Montes Claros e abriu caminho para a região fomentando o processo de criação de mais fazendas para a produção de alimentos destinados às povoações mineradoras.

Assim surgiram as grandes propriedades rurais cujas características mais marcantes são os solares, casarões onde moravam as famílias dos donos das terras, construídos com esteios de braúna e de outras madeiras de lei, paredes grossas de adobe, cobertura de telhas de barro. É um tipo peculiar de estrutura arquitetônica, com muitas portas e janelas e cômodos espaçosos, incluindo sempre a cozinha com seu fogão de lenha e forno de barro.

Em torno dessas grandes construções erguem-se as demais estruturas, como a senzala no período da escravidão e, posteriormente, o alojamento dos empregados. Para garantir a autonomia, não podia faltar casa de queijo, alambique, engenho, paióis, moinhos movidos à água, chiqueiros, currais, casa de arreios, poleiros e terreirões para secagem de grãos.

Nas roças do entorno dos solares produziam-se todos os alimentos básicos, especialmente feijão, milho, mandioca, cana de açúcar, café e algodão. Alguns desses produtos eram transformados como o milho em fubá, a mandioca em farinha, o algodão em tecidos e a cana em garapa e rapadura para adoçar o café e em cachaça para “animar” a lida diária.

Nos pomares cultivava-se grande variedade de frutas para consumo in natura ou em forma de doces e licores. As hortas eram plenas de temperos verdes, legumes e verduras.

A maior parte dos animais era criada solta, alimentando-se naturalmente do pasto natural como o nativo capim meloso, especial para produzir um leite gorduroso e nutritivo. Mas também usava-se como ração raízes de mandioca, milho seco, cana e abóbora entre outros.

Esse tipo de criação deu origem à expressão “caipira” aplicada aos animais, especialmente galinhas e porcos, que são alimentados de maneira orgânica, sem o consumo de produtos sintéticos. Essa é uma garantia de que esses animais são muito mais saudáveis e apropriados para a alimentação humana.

Criavam-se bois, porcos, ovelhas, cabras e coelhos; galinhas, patos, marrecos, gansos e perus. Os muares – cavalos, burros e jumentos – eram muito bem escolhidos porque serviam de força de trabalho no arado, na roda de engenho, na carroça e como montaria.

Até mesmo a autonomia espiritual era considerada nas velhas fazendas coloniais mineiras. Muito comuns eram as capelinhas construídas em cada fazenda dedicadas ao santo de proteção da família.

Na última parte desse artigo, entrarão em cena os famosos tropeiros. Continue lendo.

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Como falamos em capelinhas, AQUI você pode saber mais sobre a forte devoção religiosa no Circuito Cultural do Diamante.

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Conjunto de Cangalha e bruacas de couro bovino

TROPEIROS, OS HERÓIS DAS ESTRADAS

A maior parte da produção das fazendas era comercializada para as áreas urbanas. O transporte era feito por tropas de burros com pesadas bruacas de couro, guiadas por animais treinados, as madrinhas de tropas, que carregavam o cincerro de metal com seu tilintar característico.

Dirigindo a caravana estavam os tropeiros, figuras lendárias na região, com sua vida dura e aventuresca, enfrentando as intempéries, animais selvagens e a violência de uma região selvagem. São considerados heróis na região diamantina. Também utilizava-se do carro de boi como meio de transporte e o característico som, contínuo e estridente, provocado pelo girar das rodas no eixo de madeira é parte da memória ancestral mineira.

E foi desse modo, que a produção das fazendas tornou-se uma segunda alternativa de desenvolvimento econômico para a Capitania das Minas Gerais, resultando na classe dos grandes coronéis latifundiários, que dispunham de grande poder político e prestígio social com ares de nobreza. Mesmo após a decadência da mineração, as fazendas continuaram representando importante fonte de riqueza econômica para o Estado.

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