SERRO SOB A PROTEÇÃO DO ROSÁRIO

Postado por Circuito Cultural em 28 de junho de 2018

Quem curte festa, belas paisagens e cachoeiras, aprecia a típica e saborosa culinária mineira, e, mais que isso, reverencia as mais caras e antigas tradições religiosas, tem que ir ao Serro, uma das primeiras vilas do período colonial e patrimônio histórico e cultural mundial. De 29 de junho a 2 de julho, a cidade realiza sua tradicional Festa do Rosário, uma das mais antigas manifestações religiosas e culturais do Brasil.

A programação é extensa. Serão quatro dias de festa, em vários pontos da cidade, comandada pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, pela Associação dos Congados de Nossa Senhora do Rosário e pela Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, com apoio da Prefeitura Municipal de Serro.

A Festa do Rosário de Serro é realizada desde 1728. Durante quatro dias, como reza a tradição, os humildes e se tornam senhores da terra e reinam. Grupos de catopês (negros), caboclos (índios) e marujos (portugueses) dançam e cantam, parte ainda em dialeto africano, acompanhados de instrumentos musicais de fabricação artesanal, (como flautas, caixas de couro, xique-xiques e reco-recos), com trajes típicos do Congado, num espetáculo cultural embalado pelo batido dos tambores e pela perfeição da dança, da marcha e do compasso.

ROTEIRO DA FESTA

A Festa do Rosário de Serro será aberta no dia 29 de junho (sexta-feira), depois da também tradicional Novena, mas, oficialmente, a programação começa às 5h do dia 30 de junho (sábado), na Igreja do Rosário, com uma celebração. Depois, os participantes se dirigem à casa dos festeiros, onde são recebidos com farta quitanda de caldos, carnes e bebidas, inclusive a “Cachaça do Rosário”. Depois, tomam a bandeira de Nossa Senhora na casa do “mordomo” – que nesse ano é Joaquim Carlos Lagares Neto –, de onde sai o desfile de dos marujos, dos caboclos e dos catopés, acompanhados do “Boi do Rosário”. À noite acontece um dos pontos altos da festa, que é a cerimônia de hasteamento do Mastro, junto com um espetáculo de queima de fogos.

A festa vira a noite, e na manhã de domingo (1º de julho) está prevista a missa de coroação do Rei e da Rainha do Rosário (Getúlio Mota e Ruth Rabelo), quando acontecem as encenações da Barca e da Embaixada. Durante todo o dia, acontecem novos desfiles dos marujos, dos caboclos e dos catopés, que, com suas roupas coloridas e instrumentos ancestrais, promovem uma espécie de carnaval onde se misturam o sacro e o profano. E, à tarde, acontecem a procissão e a coroação de Nossa Senhora do Rosário.

Nos dias 1º e 2 de julho – domingo e segunda-feira, respectivamente –, a Festa do Rosário de Serro acontece nas ruas e nas casas, onde os participantes comem, bebem e celebram, num espetáculo que movimenta a cidade e encanta os visitantes. Barraquinhas montadas no entorno da Igreja do Rosário reforçam o caráter festivo e vendem de tudo. No último dia, empossa-se o novo Reinado e acontecem novos desfiles em homenagem a Nossa Senhora.

A LENDA DO ROSÁRIO

A Festa do Rosário de Serro lembra a vitória dos cristãos sobre os mouros na batalha naval de Lepanto, em 1571, sob a proteção da Virgem do Rosário. O culto a Nossa Senhora do Rosário, padroeira das inúmeras irmandades de pretos, tem matriz portuguesa e remonta à época das Cruzadas. Esse culto começou em 1571, após a inimaginável vitória dos cristãos sobre os muçulmanos na chamada “Batalha de Lepanto”, na Grécia, atribuída pelo papa São Pio V à proteção de Nossa Senhora do Rosário e depois motivo de comemoração especial pela liturgia da Igreja por determinação do papa Gregório XII.

Para os negros que em 1728 fundaram a irmandade de Nossa Senhora do Rosário em Serro, então chamada Vila do Príncipe, a explicação é outra, dada logo no primeiro artigo do seu Estatuto: “Diz uma lenda histórica que, certa época, Nossa Senhora do Rosário apareceu sob as águas do mar. Imediatamente, os caboclos, já devotos da Santa Virgem através da catequese dos jesuítas, rezaram, dançaram, cantaram, tocaram seus instrumentos, para que a Santa Virgem viesse até eles. Mas Ela não veio. Em seguida, os marujos, também devotos, foram até a praia e empreenderam sua tentativa de trazer a Virgem do Rosário até eles. Após rezarem, dançarem, cantarem, tocarem seus instrumentos, não conseguiram trazê-la. Por último, vieram os negros (ou catopés), até a praia, e após louvarem à Virgem do Rosário, Ela veio até eles. Por isto é que se diz que a Virgem do Rosário é a protetora dos negros.”

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